A Ace foi fundada em 21 de setembro de 2007. Mesmo nos primeiros passos desta infância já conquistou estas vitórias:

-Concurso Literário Eduardo Campos de Crônicas e Contos, com a participação de 120 autores e entrega do prêmio para os vinte autores com os melhores textos literários.

-Edição do livro Antologia de Contos e Crônicas Eduardo Campos, do referido concurso.

-Lançamento e distribuição do jornal FormAção Literária e do folheto didático Novo Acordo Ortográfico

-Instalação da sede da Ace no Sigrace, para funcionamento da secretária executiva, e auditório climatizado.

-Criação do site www.escritores ace.com.br, com a loja virtual do escritor.

-Participação na 9ª Bienal Internacional do Livro,

-Nomeação de dois associados para o Conselho Estadual de Cultura (CE) e participação efetiva nos Fóruns de Cultura Cearense, entre eles o Flec.

-Implantação da campanha Seus cupons velem livros, com o objetivo de divulgar a literatura cearense através dos escritores da Ace.

-Criação da Coordenação Literária, da Assessoria Literária para os escritores cearenses.

-Criação da Diretoria de Artes Cênicas e do Concurso Literário Rachel de Queiroz de Conto e Poesia.

-No último sábado do mês realizamos um evento cultural- palestra, lançamento de livro, sorteio de livros.

DIRETORIA DA ACE PARA O BIÊNIO 2209/2011

Presidente - Haroldo Felinto

Presidente de Honra: Assis Almeida

Vice-presidente: Francisco de Assis Clementino Ferreira-Tizim

2º Vice-presidente: Mônica Serra Silveira

3º Vice-presidente: Affonso Taboza

1º Secretário: Gilson de Albuquerque Pontes

2º Secretário: João Bosco Barbosa Martins

1º Tesoureiro: Francisco Bernivaldo Carneiro

2º Tesoureiro: Sonia Maria Nogueira

Diretor de Eventos: João Silas Falcão Soares

Diretores de Eventos Adjuntos: Carlos Aurino Barroso Guedes e Romenik Queiroz

Diretor Cultural: Francisco Francílio Dourado da Silva Filho

Diretor Cultural Adjunto: Julieta de Sousa Santos

Cerimonialista: Eudismar Mendes

Coordenador de Literatura: Carlos Roberto Vazconcelos

Coordenador Adjunto de Literatura: José Ednardo Abreu Gadelha

Comissão Jurídica

Presidente: Orlando Augusto da Silva Júnior

Membros: Jeovah Mendes e José Elcias Lustosa da Costa

Conselho Consultivo: Presidente

Luis Cruz de Vasconcelos

Membros Efetivos: Dom Edmilson Cruz e Juarez Leitão

Suplentes: Rejane Costa Barros e José Moacir Gadelha de Lima

Conselho Fiscal

Presidente: Francisco Muniz Taboza

Membros Efetivos: José Rodrigues de Araújo, Edvard Rodrigues Veras Júnior, Regina Lúcia Viana Rego, Abmael Martins Ferreira e Girão Damasceno.

26 de janeiro de 2011



Chuvantiga


Seria uma crônica sobre a chuva? Mais uma, dentre tantas, não fosse o fato de que, ao entranhar a lembrança no pensamento, senti chover-me no peito a chuvantiga. A quedar-me assim, comecei:

Numa das ruas do Monte Castelo, seguia um barquinho de papel a correr-lhe pelas águas frias das coxias. Sem pressa, sem pressa, chuá, chuá, imaginava: todas as aventuras do mundo cabiam naquele barco a desmanchar-se lentamente enquanto vaguejante por sobre um céu baço que parecia, na meninice, ser tão grande.

Nas calçadas, buscando bicas, outros meninos e meninas saltavam felizes a tiritar, braços cruzados ao peito, inda livre, crentes na simplicidade de uma vida a viver ainda distante e muita.

À praça redonda, as peladas nas areias corriam entre pernas ligeiras. Os menores piscinavam no antigo chafariz coberto em mosaicos vermelhos que nem vi crescer, assim como aquelas crianças.

Em volta, pretos guarda-chuvas cumprimentavam-se com bons-dias domingosos; o peixeiro a cantar para as freguesas aos portões; encimando os muros baixos, verdes em limbos, as buganvílias, afirmando um vai-e-vem, dançavam; os cães a ladrar o estranhamento; as águas cortinavam, de cores, arco-íris na varanda; as empregadas corriam a desroupar o varal: “Chega, menina!”; o cheirinho de terra molhada entupia as narinas quando os respingos frios — vinham das venezianas do quarto — jaziam no travesseiro; o tactac repenicado no telhado acompanhava o grito do vizinho no alto do muro do quintal; o quintal avermelhecido em acerolas.

Era manhã e na sala inda escura o café esperava — passado no pano —, com leite, o pão francês quentinho e a manteiga de lata.

O pai, a mãe, os irmãos: nunca a mesa fora tão pequena.

Chovi com a chuva a tarde que ribombava.

“Mundo, mundo, vasto mundo”... Ah, se eu não me chamasse Raymundo, como vento gemeria, não em prosa, mas em poesia, todo o vivido retrato que, só no escuro deste quarto, a rasgar os céus azula-me o clarão, pela janela distraída do nublado coração.

Coluna quinzenal do Vida & Arte de O POVO: Raymundo Netto.

3 comentários:

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