A Ace foi fundada em 21 de setembro de 2007. Mesmo nos primeiros passos desta infância já conquistou estas vitórias:


-Concurso Literário Eduardo Campos de Crônicas e Contos, com a participação de 120 autores e entrega do prêmio para os vinte autores com os melhores textos literários.

-Edição do livro Antologia de Contos e Crônicas Eduardo Campos, do referido concurso.

-Lançamento e distribuição do jornal FormAção Literária e do folheto didático Novo Acordo Ortográfico

-Instalação da sede da Ace no Sigrace, para funcionamento da secretária executiva, e auditório climatizado.

-Criação do site www.escritores ace.com.br, com a loja virtual do escritor.

-Participação na 9ª Bienal Internacional do Livro,

-Nomeação de dois associados para o Conselho Estadual de Cultura (CE) e participação efetiva nos Fóruns de Cultura Cearense, entre eles o Flec.

-Implantação da campanha Seus cupons velem livros, com o objetivo de divulgar a literatura cearense através dos escritores da Ace.

-Criação da Coordenação Literária, da Assessoria Literária para os escritores cearenses.

-Criação da Diretoria de Artes Cênicas e do Concurso Literário Rachel de Queiroz de Conto e Poesia.

-No último sábado do mês realizamos um evento cultural- palestra, lançamento de livro, sorteio de livros.


DIRETORIA DA ACE PARA 2012/2013

Presidente de Honra: Haroldo Felinto

Presidente Emérito: Francisco de Assis Almeida Filho

Presidente: Francisco de Assis Clementino Ferreira- Tizim

Vice-presidente: Linda Lemos

1º Vice-presidente: Francisco Bernivaldo Carneiro

1º Secretária: Sonia Nogueira

2º Secretário: Gilson Pontes

1º Tesoureiro: Antônio Paiva Rodrigues

2º Tesoureiro: Abmael Ferreira Martins

Diretor de Eventos: Silas Falcão

Diretores adjuntos de eventos: Eudismar Mendes, Romenik Queiroz, Lúcia Marques, Francisco Diniz, Márcia Lio Magalhães.

Diretor de Artes Cênicas: Aiace Mota

Diretor cultural: Cândido B. C. Neto

Diretora cultural adjunta: Fátima Lemos

Cerimonialista: Nicodemos Napoleão

Coordenador de Literatura: Lucarocas

Coordenador adjunto de Literatura: Ednardo Gadelha, Carlos Roberto Vazconcelos e Ana Neo.

Secretaria de Comunicação e Divulgaçã: José Onofre Lourenço Alves

Secretário Adjuntos: Geraldo Amâncio Pereira, Fernando Paixão, Pedro Cadeira de Araújo


Conselho Consultivo

Presidente: Francisco Muniz Taboza

Vice-presidente: Domingos Pascoal de Melo

1º vice presidente: Elson Damasceno.

Membros Efetivos: D. Edmilson Cruz, Juarez Leitão, Ubiratan Diniz Aguiar, José Moacir Gadelha de Lima, José Rodrigues, João Bosco Barbosa Martins, Pe. Raimundo Frota.

Conselho Fiscal

Presidente: Affonso Taboza

Membros Efetivos: Jeovar Mendes, Rejane Costa Barros, Girão Damasceno, Cícero Modesto.

22 de outubro de 2010




Enigmas paralelos
Janaura Tavares

Diurno ou noturno,
Viandantes mistérios
Espreito no céu.
Há momentos que não sei
Estar vendo óvnis
Ou o fogo-de-santelmo.
Sonoros sutis,
Pairam no ar,
Sobre as cúpulas, sobre os picos,
Aterrissam no solo,
Nas águas, crípticos.
Às vezes, pacíficos,
Às vezes, sinistros.



30 de setembro de 2010



PRELÚDIOS POÉTICOS: ROMANTISMO E REGIONALISMO

Sânzio de Azevedo
Ministrando aulas no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará-UFC ou escrevendo em jornais e revistas de nossa terra, há mais de trinta anos tenho lutado contra uma lenda que teima em vir à tona, vez por outra. Essa lenda é a de que Juvenal Galeno só começou a fazer poesia de caráter popular depois de um conselho que recebera de Gonçalves Dias, que estivera no Ceará em 1859.

Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), em livro cuja primeira edição é de 1928, depois de afirmar que a atividade literária no Ceará começou exatamente “com a chegada de Gonçalves Dias, refere-se aos Prelúdios poéticos, publicados por Juvenal Galeno no Rio, em 1856. E completa: O estreante de 20 anos procurou naturalmente o grande cantor das selvas e dos índios. E este aconselhou ao poeta imberbe que se deixasse de versos acadêmicos e que procurasse no povo e na terra a matéria poética dos seus versos.[1]

É o caso de perguntar: se os poemas do primeiro livro do autor cearense nada tinham da musa do povo, em que Gonçalves Dias se teria fundamentado para dar esse conselho?

O pior é que um grande escritor cearense, nada menos que Antônio Sales, afirmou, num livro do final dos anos trinta, após falar do Romantismo: Foi esse um áureo período do pensamento brasileiro. Juvenal Galeno, obscuro e mal aclimado ainda, entrou como pôde no torvelinho, e aos vintes anos (1856) publicava os seus “Prelúdios Poéticos”. Suponho nada terem de comum esses versos com o gênero a que Juvenal se consagrou depois, tornando-se inimitável. Tenho mesmo motivos para afirmar que os “Prelúdios” se cingiam muito de perto a modelos que não eram, como para uma grande parte dos poetas de então, Lamartine ou Byron.[2]

Note-se que o autor de Aves de arribação demonstra claramente não ter à mão o livro de Galeno, usando expressões como “Suponho” ou “Tenho mesmo motivos”. Infelizmente, durante muitos anos os Prelúdios poéticos, devido à sua raridade, eram inacessíveis, e com base principalmente na autoridade de Antônio Sales cheguei a acreditar fossem ainda neoclássicos os primeiros versos do poeta, não obstante sua convivência, na então Capital do Império, com Machado de Assis, Quintino Bocaiúva, Joaquim Manuel de Macedo e outros vultos do Romantismo brasileiro.

Foi então que um amigo, o saudoso bibliófilo cearense José Bonifácio Câmara, forneceu-me cópia do livro, em cuja folha de rosto se lê: “PRELÚDIOS POÉTICOS / de / Juvenal Galleno da Costa Silva / Natural do Ceará / (vinheta com uma lira enramada) / Rio de Janeiro / Typ. Americana de José Soares de Pinho / Rua da Alfândega n. 210 / 1856.”

Folheando esse livro, deparei-me logo com a presença avassaladora do Romantismo, não somente na dicção do poeta cearense, mas também nas epígrafes de Victor Hugo, Alfred de Musset, Lamartine, Alexandre Herculano, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Gonçalves de Magalhães e outros.

Os metros usados são típicos da corrente, como o decassílabo, em “Numa noite de luar”:

Ah, vem querida virgem, vem meu anjo;
Tão medrosa não fujas, cara amante!
Contempla o vasto mar, contempla a lua,
Ouve a onda gemer pouco distante.

Como o verso de sete sílabas, ou redondilho maior, em “O Cravo desprezado”:

Em teu raminho verdoso
Eras belo a vegetar!
Tão garboso, pelos ares
Doce aroma a espalhar.

Não falta o eneassílabo, verso de nove sílabas, em seu andamento anapéstico. É o caso de “A Enjeitada”:

Eu a vi!... Triste pranto banhava
Sua face tão linda e corada!...
Era jovem e já desditosa,
Era, oh Deus! uma triste enjeitada!...

Nem o hendecassílabo iâmbico-anapéstico, o mesmo que abre o poema “I-Juca-Pirama” de Gonçalves Dias. No livro do poeta cearense, temo-lo em “Cismar”:

E a lua vagava nos Céus infinitos,
Tão bela qual virgem sozinha pensando!
E eu era mui triste no adro do Templo
Na laje marmórea, na vida cismando!

É genuinamente romântico o poeta que, em versos cheios de amargura, derrama-se na confissão desses decassílabos do poema “Sou triste”:

Sou triste como a linfa suspirosa
Entre a selva de noite serpeando;
Sou triste como a rosa murchecida,
Que a fera ventania vai levando...

O subjetivismo, a tristeza explícita, as comparações, o vocabulário, a adjetivação, tudo nesses versos remete para a escola de Musset e Lamartine.

É verdade que, às vezes, ressumam leves reminiscências neoclássicas (o que é compreensível num leitor de Gonçalves de Magalhães), como neste trecho, em tetrassílabos (de quatro sílabas), de “Adeus, Aratanha!”:

Triste suspiro
Solto do peito,
Que da saudade
Jaz tão desfeito!

Mas diga-se a verdade: de neoclássico há aí unicamente o metro. Esse suspiro saudoso é característico da escola romântica, dentro da qual nasceu literariamente o jovem poeta.
Entretanto, não foi apenas Romantismo que encontrei nos versos desse livro: lá estão, vivas, se bem que ainda não em sua melhor forma, as notas regionalistas precursoras da poesia de raiz popular que haveria de consagrar Juvenal Galeno.

E antes que alguém afirme que os poemas do livro são ainda bisonhos, bem longe da arte de “A Jangada” ou do “Cajueiro pequenino”, lembro que em literatura há dois tipos de importância, a estética e a histórica. Os Prelúdios poéticos têm valor histórico porque abrigam os primeiros textos de caráter romântico e regionalista do poeta, inspirados pela musa popular.

Distante de sua terra natal, espraiava-se o bardo, em junho de 1856, nos heptassílabos de “A Noite de S. João”:

Em minha terra a estas horas
Eu sorria alegremente,
Tirava sortes co’as moças,
E brincava tão contente!
Era ledo e folgazão
Em noite de S. João!
Pulava destro e sorrindo
Por cima duma fogueira,
Aplaudido sendo sempre
Por menina feiticeira!
Brincava com tantas belas,
Por S. João ― compadre ― delas!

Era sem dúvida o prenúncio daquele poeta observador que, embora romântico, anotava de maneira mais ou menos realista todas as facetas do viver do nosso povo. No mesmo poema, há este trecho que revela a crença das jovens casadoiras:

Um sorriso de menina,
Que tirou sorte bonita...
Um suspiro doutra moça,
Que na sorte lê: ― desdita!...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Uma vai atrás da porta
Co’a boquinha cheia d’água,
Ouve um nome... é do seu noivo,
Tem prazer ou sente mágoa!

Também o homem do mar, que haveria de merecer-lhe versos duradouros, está presente nas rimas do estreante, como em “A Canção do jangadeiro”, na qual diz, entre outras coisas:

Rema, rema, jangadeiro,
Vai tua esposa abraçar,
Ver os tão tristes filhinhos,
Que já choram de esperar!
Rema, rema, jangadeiro,
Pobrezinho aventureiro!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Tua esposa, cuidadosa,
Teus vestidos a enxugar,
Quanto é terna e desvelada,
Quanto é firme o seu amar!
Rema, rema, jangadeiro,

“A Canção do jangadeiro”, como vários outros poemas do livro, foi escrita no Ceará, em 1855. Desse mesmo ano é a “Cantiga do Violeiro”, que traz esta indicação entre parênteses: “poesia popular”, o que é significativo. É esse poema formado de versos de sete e de quatro sílabas:

Nas cordas desta viola
Quando toco e vou cantando,
Meu coração contristado
Em prazeres vai nadando.
A vida passo
Assim cantando,
Assim tocando
Numa função!
D’amor o laço
Já me prendeu!
Já se rendeu
Meu coração...

Não é fora de propósito imaginar que Gonçalves Dias, ao receber do então jovem poeta um exemplar de seu livro, viu que nele o que havia de mais original eram os poemas de cunho popular, daí, sim, o conselho para que o autor desenvolvesse essa faceta de sua inspiração.

Os Prelúdios poéticos representam, a meu ver, o marco inaugural, não da literatura cearense (pois sigo a opinião de Dolor Barreira, ao considerar como tal as produções dos Oiteiros, do tempo do governador Sampaio), mas do Romantismo no Ceará, o que não é pouco.

Ao enfrentar pela primeira vez o público ao qual se destinavam seus versos, o jovem poeta se apresentava timidamente, escrevendo com humildade palavras deste teor: “Quando lerdes este livro, lembrai-vos de seu título, da tenra idade de quem o escreveu, e sede indulgentes.”[3]

Diante de tudo que aqui foi exposto, não há razão para que se repita a afirmação infundada de que os Prelúdios poéticos nada tinham de romântico ou de regional.

Juvenal Galeno, já em seu livro de estreia, fazia palpitar, ainda que timidamente em seus versos de principiante, a alma do povo cearense, da qual ele seria, nove anos mais tarde, o legítimo intérprete, nas Lendas e canções populares.

Fonte: http://raymundo-netto.blogspot.com/

24 de setembro de 2010


O homem, o sal e o velho

Carlos Mourão

Trancou a porta, dando duas voltas na fechadura e tentando uma terceira que nunca viria, e saiu para a rua. Colocou as chaves no bolso, conferiu se havia pegue sua carteira, seu cartão e bateu a mão no bolso esquerdo da blusa branca para ver se o cigarro estava mesmo lá.

Sim, estava, porém no final. Nota mental imediata: comprar cigarros na banca de revistas. Não esquecer também das balinhas de menta, para se sentir limpo. Apressou o passo para chegar à banca antes do ônibus passar.

Na banca, havia um rapaz de calça jeans rasgada, blusa preta, piercings, com fones no ouvido, lendo uma revista sobre yoga e budismo. Em seu colo, uma revista aberta com fotos de tatuagens, mostrando uma mão de Fátima e o Om.

Ao seu lado esquerdo, uma moça com uma saia indiana dentro de uma bolsa reciclável, além do shampoo e de uma escova de cabelos. Comprava um chiclete de menta, uma coca-cola e um biscoito de chocolate. Jogava tudo na bolsa, segurava a lata e catava as moedas enquanto falava ao celular avisando que iria demorar um pouco, mas chegaria em 23 minutos. Assim mesmo, bem precisa, mas não sabia o ônibus que iria pegar.

O dono da banca disse qual o ônibus pegar, olhando para os seus seios e umedecendo os lábios. Tirou a caneta de cima do balcão de vidro, anotou num pedaço de papel o número dos coletivos que ela poderia pegar e, no seu verso, um número qualquer de telefone. Possivelmente o dele, mas ela não percebeu ou fingiu não perceber.

Senhoras caminhavam ao redor da praça em que ficava a parada do ônibus. Usavam bonés, blusas grandes e com algumas propagandas, além dos terços nas mãos direitas. Seus olhares eram curiosos, conservadores e indiscretamente discretos quando falavam dos jovens que iam para suas aulas ou vinham de algum bar.

Enquanto comprava seu cigarro, olhou para o relógio de um homem branco e careca (por opção), e viu que eram quase sete horas da manhã. Lembrou que era quinta-feira, véspera da véspera do fim de semana. Lembrava também que tinha muitas pendências e que queria viajar no fim de semana, mas não tinha dinheiro, pois era dia 21, sinônimo de resto de salário e que devia comer menos de quatrocentos gramas no self service perto do trabalho para não faltar dinheiro.

Do outro lado da rua vinha uma travesti arrasadíssima, maquiagem borrada e praguejando do salto alto. O careca (por opção) olha com desprezo e desejo para a mulher/homem, um olhar com vontade de matar a moça para matar seu desejo por ela.

Olhou novamente para o tal do careca e procurou a suástica para saber mesmo se era um skinhead. Devia estar por baixo da blusa, certamente. Pagou o cigarro e olhou para o final da rua na expectativa do ônibus chegar logo.

O rapaz que lia sobre yoga e budismo comprou a revista e tirou uma foto pelo seu celular do Om e da mão de Fátima. Em seguida, voltou a colocar os fones no ouvido e atravessou a rua, caminhando atrás de um senhor que carregava uma sacola com pães e um pacote de sal.

A moça sentou na parada e releu o papel para conferir qual ônibus pegaria. Tomou o refrigerante, comeu um biscoito e pediu um cigarro. Na palma da sua mão estava tatuada uma mão de Fátima. Tragava à medida que amassava a lata, olhando ao redor para encontrar um lixeiro, mas teve que colocar a lata na sua bolsa, pois o ônibus já estava chegando.

Deram sinal, jogaram os cigarros no chão e entraram. Tentavam encaixar seus corpos naquela proximidade tão distante, evitando o toque. Pela janela, ele percebeu que o careca (por opção) acenava discretamente para a travesti, pedindo para ela ir logo, talvez para a casa dele ou deles.
Ficou observando os dois dobrarem a esquina enquanto esperava o sinal abrir e viu um carinho dela no pescoço do careca. As senhoras, que tinham parado de caminhar para saber se os comentários eram verdade, entreolharam-se, benzeram-se três vezes e saíram falando levando a mão à boca e olhando para os lados.

Um casal chegou à parada, sentaram e logo a carona deles chegou como sempre extremamente pontual. Deram sorrisos, entraram e se enfileiram aos outros carros, motos, bicicletas, ônibus, topics e pessoas transitando.

O sinal abriu e o senhor que chegava com os pães e sal fechava o cadeado do portão. Jogou um punhado de sal na entrada da casa, puxou uma cadeira e sentou-se na varanda. Arrancou o bico do pão e mastigou calmamente, opondo-se à velocidade dos pneus e freadas no asfalto de mais uma quinta-feira.

22 de setembro de 2010


"Aíla percorre um longo caminho. Analisa os contos de Mistérios, de Lygia Fagundes Telles, valendo-se de textos de outros contistas dos séculos XIX e XX, e de todo o referencial teórico disponível. Vai à Antiguidade e Idade Média em busca das primeiras manifestações.
"Lourdinha Leite Barbosa, Professora e Escritora"Seu enfoque propõe a revisão da teoria do gênero Fantástico, cujos cânones mostram-se ultrapassados quando se constata sua realização em textos literários dos séculos XIX e XX, como se poderá comprovar com a leitura dessa obra." Francisco Bedê, Escritor
"Meu primeiro contato com Lygia foi com o ´Ciranda de Pedra´, seu romance de estreia, que traz uma abordagem psicológica dos personagens. Depois foi que entrei em contato com as narrativas curtas, e ´Mistérios´ me chamou especial atenção. Como havia estudado o gênero fantástico, interessou-me aplicar sua teoria a estes contos. Foi aí que percebi que todo fantástico é um mistério, mas nem todo mistério é fantástico.” Aíla Sampaio

21 de setembro de 2010


FEITO O CONDOR


Voei tão alto,
Voei feito o condor.
Planei com esmero a imensidão do azul
E me senti livre das amarras
Da vida terrena.
Sobrevoei os alcantis mais íngremes
E de lá, ecoei meu grito
Num rasgo indefinido, imensurável.
Voei tão alto,
Voei feito condor.
Fui mais além, atingi outras dimensões.
Evolui a alma.
Depois, ao retornar do vôo,
Rejeitar, duvidar, me fazem companhia,
Deixando-me intuir.
Aqui, quase nada se explica.
Muitas vezes, erroneamente se explica.
Fico assim, a fazer reticências.
Não sei decerto, talvez o inesperado colidiu comigo,
Precipitando-me pela atmosfera,
Restando apenas esta centelha aqui prisioneira
À espera de um vôo rasante,
De volta para o infinito.


Janaura Tavares


15 de setembro de 2010


Contos de liberdade
O escritor Ronaldo Correia de Brito lança nesta quinta-feira, 16, em Fortaleza, o quarto livro de contos, Retratos Imorais, e faz conferência sobre criação literária.
Duas mulheres em preto e branco é o conto que abre a coletânea que compõe Retratos Imorais. Amigas desde o tempo em que eram estudantes de medicina em Recife, as duas encontram-se, agora, trancadas num quarto, onde uma planeja, com detalhes, a morte da outra, enquanto refaz as pegadas do caminho trilhado por elas, anos a fio. Quando o leitor imagina que tudo se encaminha para o fim, eis que o narrador dá outro rumo à história.

Uma mistura que inclui uma boa dose de surpresa e uma pitada de incômodo, causados pela exposição de personagens múltiplos, que carregam consigo uma memória que quer libertar-se a todo custo, está presente nos 22 contos divididos em retratos: dispersos, de mães, de homens.

Ronaldo Correia de Brito, médico e escritor, diz que arrumou os textos do novo livro como um curador monta uma exposição de obras de arte. Experiência própria. Entre a medicina e a literatura, Ronaldo faz teatro e curadoria de exposições e só não faz cinema porque tem que dar expediente em dois empregos. Na década de 1970, fez um documentário (Cavaleiro Reisado) e dirigiu um longa para TV Cultura (Lua Cambará).

Nada impede, porém, que seus textos tenham uma velocidade tal que se assemelham a imagens em movimento. Seja quando imagina acertos de contas de uma vida inteira, seja quando cria um novo Jó às voltas com perguntas que Deus teima em não responder, como é o caso do conto que dá origem ao nome do livro.

Retratos Imorais é uma espécie de livro de liberdade, segundo conta o autor. Ele diz que depois de Galileia rompeu com a “mordaça do universo sertanejo” e chegou às cidades. “Agora estou mais solto para escrever o que bem quiser e transitar por onde quiser”, afirma. Até mesmo deixar de lado o sertão, tema que Ronaldo deu vida nova nos livros anteriores – As Noites e os Dias, Faca e O Livro dos Homens - e que reconstruiu com maestria no primeiro romance, Galileia, com o qual arrebatou o prêmio São Paulo de Literatura, no ano passado.

Em entrevista ao O POVO, Ronaldo Correia de Brito fala sobre o novo livro e revela como todas as artes o levam à escrita que ele escreve com “os olhos”.

O POVO - Retrato é algo que fica congelado. A literatura, pelo contrário, se move no tempo. Como você junta retrato e literatura?

Ronaldo Correia de Brito – Sempre faço curadorias para exposições de pintores, aquarelistas, gravadores e escolho as obras de arte que vou expor a partir de um conceito. Quando expus o gravador Gilvan Samico, o conceito da mostra era a exatidão. Usei essa mesma técnica para selecionar os 22 contos desse novo livro. Todos eles reproduzem imagens, retratos variados, mas sempre em movimento.

OP - Recife é o cenário comum de muitos dos retratos que você registra no seu livro. Como o lugar dita a ordem das histórias que você conta?
Ronaldo – Acho que desde o romance Galileia rompi com a mordaça do universo sertanejo e cheguei às cidades, uma trajetória que também é a de minha vida. Nesse novo livro, a paisagem predominante é o Recife, cidade onde moro há 41 anos. Se os meus personagens em paisagens de sertão já eram neuroticamente urbanos, agora estou mais solto para escrever o que bem quiser e transitar por onde quiser. É mais fácil refletir sobre questões atuais do mundo, na perspectiva de uma cidade grande e complexa como o Recife, do que preso a uma paisagem cristalizada, que nem mais existe.

OP - O cinema e a fotografia são referências constantes nos seus contos, assim como a psicanálise e o teatro. Como você observa essas referências criadas e recriadas?

Ronaldo – Às vezes, esqueço que estou escrevendo um romance ou conto e penso num roteiro de um curta-metragem, como na narrativa Homem Sapo. Misturo as linguagens e por isso meus contos são impregnados de teatro, cinema, catálogos de exposições, imagens, muitas imagens. Escrevo com os olhos. Quanto à psicanálise, não existe literatura que não seja psicanalisada, desde Freud, ou desde Dostoievski.

OP - Muitos dos contos haviam sido escritos há anos e você os refez ou os atualizou. Como se deu esse reencontro com o texto?
Ronaldo – Reescrever é bem pior do que escrever. Dá mais trabalho, dói revisitar textos guardados. Reescrever é escrever duas vezes. No conto Romeiros com sacos plásticos, bem antigo, narro a trajetória de uma romeira de Juazeiro do Norte, assunto que conheço e ao qual sempre volto. Vivi no Crato e no Juazeiro e fiz algumas romarias viajando em pau de arara. A primeira história se limitava a uma narrativa linear, sem muitas intromissões do autor. Senti necessidade, depois de 32 anos, de trazer a ação para um novo contexto, um Juazeiro do Norte desfigurado por sacos plásticos e motos. Um fotógrafo francês, Patrick Bogner, teve a mesma impressão que eu. Nas fotos dele, os romeiros estão sempre com sacos plásticos nas mãos. O meu reencontro com os textos se dá num presente desfigurado, não sei se melhor ou pior do que eu vira antes.

OP - O conto Toyotas azuis e vermelhas traz consigo um discurso metaliterário que compreende a escrita, a morte, o autor. Como você, como autor, lida com a ideia de que a escrita mata o próprio autor?

Ronaldo – Escrevemos para esquecer, para nos livrarmos da memória. Quando nos desfazemos de uma narrativa, o que acontece depois que publicamos um livro, sentimo-nos aplacados, em parte aliviados das lembranças que nos alucinavam e fustigavam. Além disso, os textos deixam de ser nossos, não nos pertencem mais. Só o leitor pode recriá-los com sua leitura.

OP - Ainda sobre esse conto, o narrador em algum momento fala: “Todas as espécies merecem sobreviver. Os escritores também”. Ronaldo – Nem lembrava dessa passagem. Você tem certeza de que a escrevi? Nunca retorno aos meus livros. Uma vez, um leitor me mandou um livro todo anotado, para o meu autógrafo. Senti verdadeiro constrangimento em abri-lo, pois já não me pertencia, era de outra pessoa, que o estava reescrevendo. Como já falei anteriormente, os escritores sobrevivem apenas através dos leitores. Nós merecemos viver, sendo lidos.

OP - Como você lê Borges? Espiando a si próprio, tal qual o personagem do conto Homem borgiano espreitando o lobo?
Ronaldo – Borges, depois da Bíblia, foi a melhor descoberta literária de minha vida. Talvez Borges seja um narrador bíblico, infinito, e por isso eu goste tanto dele. Acho que me filio a essa tradição de narradores bíblicos, contidos e ao mesmo tempo exaltados, e olho Borges como o escritor que eu gostaria de ser. Começamos a escrever assim, desejando ser como alguém que admiramos. Um dia descobrimos nossa voz narrativa, o ritmo próprio. E aí nos tornamos também escritores.

OP - Eu o ouvi falar sobre o processo de criação do conto Homem folheia álbum de retratos imorais. No final, você disse que nunca sabe como a história vai se desenrolar. Como você lida com esse mistério?
Ronaldo – É verdade, nunca sei mesmo. Nesse conto que você refere, passei anos pensando na história, mas não descobria o ritmo adequado. Emperrei, não saía do lugar. Já escrevera uma crônica sobre o personagem Claudiney Silva, narrador do conto, para a revista Continente. Quando li a história de um judeu no gueto de Varsóvia, encontrei o fio narrativo que buscava. Escrever é essa loucura, o mesmo que atravessar um rio caudaloso. Pensamos em sair num ponto e chegamos a lugar bem diferente.

OP - A partir do conto Homem buscando a cura, quem tem mais poder de curar: a medicina ou a literatura? Ronaldo – Eu não acredito em cura definitiva. Há um ponto de equilíbrio dos sintomas em que é possível tocar a vida. Ou amar e trabalhar, como refere Freud. Tanto a medicina como a literatura pode fazer bem. Embora eu prefira a literatura na perspectiva de Kafka, como causadora de transtornos. A doença também é um transtorno que a medicina busca equilibrar. Então, vamos usar as duas panaceias: literatura e medicina.
RETRATOS IMORAIS - Livro que Ronaldo Correia de Brito lança quinta-feira, 16, às 19h30min e faz conferência: Do conto ao romance: uma conversa sobre o ato de escrever. Na sede do Iprede: rua Professor Carlos Lobo, 15, Cidade dos Funcionários.
Outras informações: 3218 4000.

14 de setembro de 2010





Lançamento do livro Retratos Imorais, de Ronaldo Correia de Brito, e também a conferência “Do conto ao romance: uma conversa sobre o ato de escrever”, que acontecem no Iprede, nesta quinta-feira (16/09), às 19h30min.
Aguardamos sua presença.

11 de setembro de 2010

A Academia de Letras dos Municipios do Estado do Ceará - ALMECE - convida para a comemoração do 27 anos de fundação. Nesse evento será lançada a IV antologia da Almece. Várias pessoas do nosso meio cultural serão agraciadas com títulos honoríficos.
Dia 21/09/2010, as 19h30 na sede da Academia Cearense de Letras.

10 de setembro de 2010

“Três olhares de Clarisse Lispector”, curso no Passeio Público.

À sombra dos centenários baobás do Passeio Público, com a descontração que só a visão de um pedacinho de mar proporciona, o curso TRÊS OLHARES DE CLARICE LISPECTOR tenta nos fazer mirar o horizonte, depois de ler-ouvir as palavras de nossa escritora maior.

Veja as informações abaixo:

PROJETO FEITO À MÃO
TRÊS OLHARES DE CLARICE LISPECTOR

Curso com Miguel Leocádio Araújo

Dias 8 –15– 22 (quartas-feiras) das 14h às 18h

20 vagas (inscrições no local – quiosque do Passeio Público)

(O Passeio Público, para quem ainda não sabe, fica no centro da cidade, à frente da Santa Casa de Misericórdia na rua João Moreira, S/N)



PROGRAMAÇÃO:

1º DIA (8 DE SETEMBRO): Clarice Lispector no horizonte (um olhar panorâmico).Olhares sobre a mulher e sobre o amor em contos e crônicas.

2º DIA (15 DE SETEMBRO): Olhares sobre a criança e sobre as relações familiares em contos e literatura infantil.

3º DIA (22 DE SETEMBRO): Olhares sobre a crueldade: os problemas sociais do país em crônicas, entrevistas e cartas.

Outras informações: miguel.leocadio@hotmail.com

Fonte: http://raymundo-netto.blogspot.com/

25 de agosto de 2010

Leio Sinos de Papel quase em clima de compulsão. Tudo o que você faz na seara poética é de alto nível. É como se você tivesse o espírito da poesia entranhado na pele. FRANCISCO CARVALHO (Sobre Jorge Tufic)

Clique na imagem para ampliá-la.

23 de agosto de 2010

A crônica para relembrar o Benfica de Moreira Campos

Manhã dessas da vida decidi flanar pelas ruas com e sem saída da velha Gentilândia, fundida em tempos mais atuais ao bucólico Benfica. Bairro boêmio e intelectual, reduto último de um tempo passado, início do século XX, casas de um só andar, quase nenhum duplex, nada ainda de prédios arranhando céus tão limpos de barulhos ou nuvens de fumaça.

Sim! Apesar da proximidade geográfica que o Benfica guarda em relação ao sujo e abandonado centro de Fortaleza, nada lhe afeta a maciez do tempo onde relógios preguiçosos parecem marcar seus dias. Domingos, então, nada mais tranqüilizante que apreciar sem pressa de chegar a lugar nenhum, fachadas de casas aquietantes, árvores farfalhantes, bem-te-vis, rolinhas cascavel, pardais e, com sorte, o singrante gavião que costuma habitar as copas das altas mangueiras do Bosque de Letras. Será ele o antigo morador daquelas paragens dos meus tempos de acadêmico? – Vinte anos passados – Ou se tratará de um seu descendente, gerações pósteras de velhas asas caçadoras?

Certa noite boêmia de lá, lançaram-me aos ouvidos de poeta uma daquelas indeléveis frases que costumam nos acompanhar por toda a vida: “Morar no Benfica não é simplesmente morar, é habitar um privilegiado estado de espírito!” E como! É preciso se ir até lá ao amanhecer de um final de semana, deixando-se ir preguiçoso por entre as barracas da feira livre, sentindo, um a um, os extratos, cheiros emanados das frutas, verduras e afins expostos nas bancadas de madeira que, de tão velhas, certamente guardam histórias de décadas e décadas de sol, chuva, sorrisos e saudades. Chuva que no Benfica cai e se torna cheiro de amor, vida e pena de morrer.

Ventos quentes de verão não têm vez por aquelas bandas. Sombras de altas castanholeiras e imponentes benjamins amenizam a sede física e espiritual dos amigos – gerações e gerações deles – mesinha de bar tranqüilo, cerveja gelada no copo, músicas na altura certa para amenizar dores de amores. E que não nos venham estacionar as ruas os famigerados “carros-bomba” com seus infernais aparelhos de som, milhares de watts despejados sobre tímpanos sensíveis. Afinal, pelo que sei, porta-malas foram criados para guardar objetos, inclusive, claro, malas. Não! Que não venham os donos dos “carros-bomba” tentar infligir aos do quieto Benfica uma prática que parece buscar suprir – através da potência eletrônica de seus autofalantes – suas carências por dotes mais avantajados ou desempenhos sexuais menos pífios, se é que me faço entender. Isso não permitiremos, como tantas vezes já não permitimos.

E que a saudade de tua estrutura atual, Benfica de guerra, nunca se torne verdade, jamais se aplicando a você as sábias palavras do eterno mestre Sânzio de Azevedo: “Quando um homem perceber mudanças nas ruas pelas quais há tempos caminha, ou começar a lembrar de coisas que já não mais existem, ele estará ficando velho... E sábio”. Quero ficar velho te vendo igual, não por teimosia do idoso chato que provavelmente serei, mas por conhecer, assim como uns outros poucos felizardos que te habitam, certos segredos de tua geografia. Geografia esta que perdeu, no último novembro, a casa de Moreira Campos, demolida e devorada que foi. Virou estacionamento o solo doméstico e cultural que por tantos anos foi pisado pelo maior contista cearense de todos os tempos. Casa que também serviu de abrigo a uma menininha que, sem medo de rotulações, decidiu por seguir os caminhos do pai famoso: Natércia Campos, amiga tão cedo retornada ao seio de Deus. Natércia, ironicamente a autora do já célebre romance A Casa. Ironia das ironias.

Ante esses rompantes de pseudo-modernidade, meu Benfica de Epicuro, Benfica de quintas tão aprazíveis, só me resta sonhar-te tempos melhores, onde a silenciosa revolta de teus habitantes e a História deste Ceará quase sem memória se encarreguem de dar conta dos dias que virão, ceifando as asas capitalistas que hoje sobrevoam teu casario desguarnecido.
_____________________
Túlio Monteiro é escritor e crítico literário.

16 de agosto de 2010

II PRÊMIO NACIONAL IDEAL CLUBE DE LITERATURA





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13 de agosto de 2010

Prêmio para escritores inéditos inscreve em diversas regiões da Paraíba

As inscrições para o Prêmio SESC de Literatura encontram-se abertas nas categorias Conto e Romance. O concurso é promovido pelo Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio e no estado da Paraíba os autores devem procurar as Unidades do SESC em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Sousa e Cajazeiras, para efetuarem as inscrições e submeterem suas obras a análise de Comissões Julgadoras compostas por especialistas em literatura, escritores, jornalistas e críticos literários.
O concurso pretende premiar textos inéditos, escritos em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil. Cada participante, que não poderá ter nenhum livro publicado, deve participar com apenas uma obra inédita em cada categoria, sendo que de 130 a 400 laudas para Romances; e 70 a 200 páginas nos Contos, com o texto digitado no Word, em apenas um lado da página, fonte Times New Roman tamanho 12, estilo normal, cor preta, parágrafo de alinhamento justificado, espaço entrelinhas duplo, todas as margens 2,5 e impressos em papel A4.As inscrições serão encerradas no dia 30 de setembro, ficando a divulgação do resultado prevista para o mês de março de 2011. O vencedor de cada categoria terá sua obra publicada e distribuída pela editora Record, cabendo o direito a 10% do valor de capa na comercialização em livrarias, além de distribuição na rede de bibliotecas do SESC no País e outros espaços culturais.
As comissões julgadoras poderão indicar, a seu critério, até três obras cujos autores receberão menção honrosa, sendo que o único critério para seleção das obras vencedoras é o mérito literário, cabendo ao júri final a decisão, que será soberana e não suscetível de apelo. Para o autor vencedor de cada categoria, a viagem será custeada para o Rio de Janeiro, por ocasião da entrega dos prêmios, em julho de 2011.
As inscrições são gratuitas, sendo vetadas as participações de funcionários e parentes da editora Record, SESC, Fecomércio e pessoas envolvidas no processo de julgamento do concurso. Também é determinado que, ao se inscrever no Prêmio SESC de Literatura 2008, o candidato estará automaticamente concordando com os termos do edital.
No ano passado, durante o concurso, o SESC-PB também foi escolhida para sediar o processo de análise das propostas inscritas nos estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, além da própria Paraíba, que teve seis trabalhos inscritos e 69 dos demais estados do Nordeste. A comissão julgadora foi composta por Rinaldo Fernandes e Amador Ribeiro, e em 2007 a dupla de análise foi integrada pelo poeta Políbio Alves e o crítico literário Hildeberto Barbosa Filho. A edição 2009 ficou com Prosa de Papagaio, da mineira Gabriela Guimarães Grazzinelli, na categoria Romance; e Cavala, do carioca Sérgio Tavares, com melhor coletânea de Contos.
Informações adicionais sobre como e para onde enviar as inscrições podem ser obtidas no SESC Centro João Pessoa, que fica na Rua Desembargador Souto Maior, 281, Centro, ou pelo telefone 32083158.
ACE- ASSOCIAÇÃO CEARENSE DOS ESCRITORES

PARTICIPE DA 1ª ANTOLOGIA DE CRÔNICA, CONTO, POESIA


INSCRIÇÕES: 01/07–03/09/2010
Lançamento: 30/10/2010
Rua Princesa Isabel, 817. Centro.
60015.060
3214-25-39/ 3231-53-31


A saga de uma unha do dedão do pé direito

Bem, se todo cronista tem o direito de passar a vida chafurdando seu próprio umbigo, como se todos nós leitores estivéssemos muitíssimo interessados nele, acho que, como projeto mal acabado de escrevinhador de província, também tenho o direito de fazer certas digressões sobre uma parte do meu corpo não tão nobre: O Dedão do Pé Direito, ou melhor, sobre a Unha do Dedão do meu Pé Direito.

Explico antes, o dedão do meu pé direito não é uma parte do corpo tão desprezível assim, pois quando criança e adolescente me deu destaque no futebol como um bom batedor de “bicudo” (coisa que pouquíssimos jogadores de futebol foram capazes, mais recentemente só o artilheiro Romário conseguia bater com maestria de bico de pé). A ponto de ter sido apelidado de “Pedro Bicão”, tamanha a facilidade pra bater na bola com essa esquecida parte do corpo, e, diga-se de passagem, com direção e força. Sempre consegui botar a “redonda” onde queria com o bico de pé.

Mas, descambando dos 40 rumo aos 50, ultimamente o velho bico de pé voltou à sua costumeira insignificância, tendo como tarefas mais nobres furar meias, segurar linha de anzol e uma que outra topada. E esquecido do glorioso dedão ia eu em viagem para Fortim, perto de Aracati, onde o rio Jaguaribe adentra o mar, quando uma criança se trancou no banheiro do ônibus, e fui eu tentar salvar o barulhento pimpolho. Final da cena que não quero lembrar, o garoto livre e eu com a unha entre a porta do banheiro e o carpete do piso. Dor intensa, unha de imediato pretinha de sangue pisado. Uma dor insuportável, uma vontade de urinar nas calças, um manquitolar de volta pra minha poltrona. O dedo todo preto, dormente por um tempo e doendo muito em seguida. Nada de gelo para pôr no local.

Chegando ao destino a decisão de não estragar o passeio por tão “simples” acidente. Aguentei a dor, travei os dentes e fiz de conta que não era nada. Fomos, criançada barulhenta, família desorganizada e eu (triste) atrás para a costumeira barraca de praia (graça a Deus quase vazia). Lá pus o pé sobre um tamboretinho de madeira e fiquei assoprando de longe, lágrimas pra cair no canto do olho. Foi quando seu Dadá (marido de Joana, a barraqueira amiga de muitos anos), jangadeiro experiente, percebeu a arrumação e deu o diagnóstico de unha perdida, sem jeito, e aproveitou e passou o primeiro de uma série de remédios usados por mim nesta saga pelo alívio da dor: “Tinta de Caneta!”... “Como?”, perguntei incrédulo. “Tinta de Caneta! Seca e depois cai!!!”, e foi logo providenciando a dita Bic azul sem tampa e com a metade avariada pelo uso... E lá me vi eu, enquanto crianças faziam castelos de areia, adultos descosturavam caranguejos, riscando pacientemente a minha dolorosa unha do dedão do pé direito. A companheira pondera, como tentando aliviar o ridículo da cena, que talvez seja verdade, pois a violeta genciana usada em ferimentos e machucaduras era também azul.

O dia passado a custos não deu o alívio esperado para a noite, agora a maldita unha latejava. Fomos ao hospital da cidadezinha, sexta à noite, sem médico (uma vergonha que já virou hábito: uma criança com falta de ar tentava desesperadamente chorar e não conseguia, um enfermeiro inutilmente tentava dar um jeito), me mandei prum hospital particular em Aracati, espera (o médico jantava, ou cochilava, ou não sei o quê...), uma olhada rápida sem levantar da cadeira, um antiinflamatório na receita. Saí puto em direção à farmácia.

O alívio do remédio permitiu dormir em paz, no dia seguinte (glorioso sábado de um sol maravilhoso) a dona da pousada vaticinou novamente: “Vai cair”... “É bom pôr um pouco de água quente de noite pra desinflamar”... Mas como conseguir água quente, bacia adequada para um banho-maria de alívio? Fui desta vez para a foz do rio e caminhei pacientemente em direção ao encontro com o mar, o dedo já inchado, luminoso e saindo uma gloriosa secreçãozinha pelo canto da unha. Sentei numa pedra e enfiei o pé na água salgada, cobri com um pouco de alga marinha. Fiquei me lembrando da infância, quando passávamos frequentemente por problemas parecidos e até piores, simplesmente jogávamos um pouco de terra em cima (quem foi criança e nunca usou este infalível método?) e pronto.

Mais uma tarde de capengado caminhar, sem querer admitir batalha perdida. Acompanhando a custo a turma feliz que ganhava a praia, a praça. De noite consegui um pouco de água morna, que de pouco adiantou. O retorno adiantado pra Fortaleza, a esperança do alívio imediato com a volta pra casa. Ledo engano. Mas agora a higiene demorada, a água quentinha três vezes ao dia. Quarta a ida a outro médico, que se admirou da infecção e passou antibiótico, comprimido pra dissolver na água quente e pomada noturna. Nada disso deu resultado! Uma semana depois novo e fortíssimo (e caríssimo!) antibiótico! Uma semana depois o vaticínio: Uma pequena cirurgia pra extrair a unha! A simples notícia já me foi bastante dolorosa, porém seria enfim o alívio... Engano, antes uma bateria de exames de sangue (suspeitavam de diabetes, causando a demora da cicatrização), continuando o tratamento passado antes pra desinflamar...

Hoje completou três semanas de sofrimento e já começo a contar os minutos pra extração da unha (prometi a mim mesmo que a pintarei de novo de azul e a pendurarei no pescoço, em promessa até o fim do ano). Antes já experimentei pelo menos uns quinze remédios diferentes, passados pelos amigos, familiares, curiosos... Ontem fui a uma benzedeira no final do Montese, que garantiu que não demorará a cura.

De bom apenas a solidariedade geral: o atencioso chefe na repartição me deu dois dias de folga (e contou um caso idêntico vivido por ele), minha mãe fez chás e liga todo dia, em casa uma vida de rei, todos olhando pra mim com certa pena. Na rua tratava de manquitolar um pouco mais, o passante olha e põe a mão na boca com espanto. Descobri que (como disse Nélson Rodrigues, mas atribuindo a frase a Otto de Lara Rezende: “O mineiro só é solidário no câncer!”) todo cearense é solidário com unha bichada!

Aprendi muito de medicina caseira, da convencional também. Esta semana fui ao consultório de um muito bom médico e boa gente, Dr. Veras, que recentemente perdeu três dedos do pé por conta de uma simples infecção na unha, nas complicações da diabetes. Ele me prestou solidariedade, aprovou com elogios o tratamento passado pela minha irmã médica Rute, e me receitou paciência, que não extraísse a dita cuja, não fizesse mais um trauma no meu já tão sofrido dedão do pé direito.

Bom, mais de três semanas de sofrimento, dor, raiva, paciência, automiseração, ainda padeço do problema, e agora mesmo, enquanto completo esta mísera crônica, feliz por ter passado a manhã olhando de vez em quando pra unha sequinha e desinchada, percebo um filetinho de secreção bem no canto dela, que curiosamente ainda tem resquícios da tinta azul do primeiro remédio.

P.S.: Também preocupa que já começo a me acostumar com o problema, e ontem à noite me flagrei bolando uma maneira de, assim que sarar, machucar outra unha, só que desta vez do dedo mindinho do pé esquerdo...

Pedro Salgueiro é escritor e funcionário público. Publicou alguns livros de contos (O Peso do Morto, O Espantalho, Brincar com Armas, Dos Valores do Inimigo e Inimigos), um de crônicas (Fortaleza Voadora). Tem no prelo um panorama do conto fantástico no Ceará (O Cravo Roxo do diabo) e um livro de contos curtos (Movimento Esperado).

Jornal O Povo – 13/08/2010

9 de agosto de 2010

Minh'avó

por Nirton Venâncio


Minh’avó caminhava pela grande casa.
Minh’avó muito pequena, até um dia desses,
caminhava pela grande casa.
Continuava com seus passos
seu cansaço
seus laços.

Minh’avó alterou a lei da física:
carregava no seu espinhaço tão frágil
décadas décadas décadas
datas datas datas
dias dias dias
carregava festas
aniversários
e algumas compras
carregava guerras
revoluções
e algumas brigas.


Teimosa, não se dava conta de toda essa carga
e olhava pela janela
o automóvel na rua
a moça na calçada
e ninguém mais em direção à igreja.
Nirton Venâncio



Cofre


Quando quiseres
venhas
e gires com as pontas dos dedos
o meu coração.
Encontrarás
teus segredos nos meus olhos abertos.
Guardo no peito
o íntimo
de quem se achega.

Pedro Salgueiro


Fronteira
O vasto horizonte mirado com angústia: primeiro as sobrancelhas cerradas, a mão em pala; depois os óculos claros, vislumbrando ínfimos detalhes; mais além o binóculo rápido; e por fim a luneta de tripé apoiada no peitoril da janela. (A porta da frente travada, os galhos ressequidos sobre o muro.)
Em cima da mesa, o antigo manual de técnicas de fuga, de caminhos alternativos, de atalhos perfeitos. Aos seus pés a gasta bússola, mapas encardidos e rabiscados nos trópicos. A xícara de café esquecida; a bagana de cigarro inútil nas cinzas. (Quanto mais longe... — o país distante, um mundo imaginário, paisagens de televisão.)
Os olhos peritos não enxergam mais os pés sujos, as unhas compridas, o filete de baba maculando o colarinho, as baratas no canto escuro do quarto. No quintal o verde úmido dos musgos, o tronco seco da goiabeira, os cacos de telhas trocadas no último inverno.
Rangendo leve, a cadeira de balanço da companheira triste, também esquecida dos filhos distantes, a esperar eternamente pelo retorno das andorinhas, o cantar dos galos nos quintais vizinhos, rezando uma prece em silêncio, no mais absoluto silêncio...
Por último, cavou trincheiras no jardim e montou observatório no galho mais alto da ingazeira do quintal. Canto algum ficou descoberto de um possível ataque. Testou todos os alarmes, checou lunetas e binóculos, lustrou a velha espingarda. E nem se deu conta de que o adversário, zeloso de seus cuidados, se infiltrara há muito em sua guarda, já organizava junto com ele as mil situações de defesa, sussurrando em seu ouvido opiniões absurdas, desfocando lentes, cuspindo debochado no assoalho da sala enquanto ganhava a confiança de sua companhia. (Se não olhasse para tão longe já o teria visto, de sorriso maroto, destampando as panelas no fogão.)
Do livro Inimigos

6 de agosto de 2010

Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista

Freud, ciência e sonho


Ao doutor Sigmund Freud não bastaram os registros bíblicos e sacerdotais sobre os sonhos. Buscou caminhos outros, como os da filosofia e das ciências médicas. Analisou os princípios socráticos, segundo os quais os homens têm desejos e prazeres. Por vezes, contrários à lei, devido à bebida ou ao temperamento. Da convivência do pacífico e sensato com o bestial e selvagem, a alma seria a razão da prevalência daqueles. Para afastar pesadelos e sonhos coléricos, o filósofo maior aconselhava purificação antes do sono.
Nos diálogos de Platão, encontrou causa fisiológica e natural a explicar os acontecimentos sonhados. O discípulo de Sócrates fez-se contrário àqueles que os viam como mensagens metafísicas, sobrenaturais. Divinas ou demoníacas. Discordou de Homero e de suas justificativas lendárias e mitológicas, porém, com breves comentários. Na era helênica e até o final do século IX, nenhum destaque maior descobriu no conhecimento filosófico ou médico.
Freud também pesquisou todos os estudos existentes à época, em especial as técnicas hipnóticas aplicadas pelo afamado neurologista e psiquiatra Jean-Martin Charcot, considerado o Pai da Neurologia, quando em 1885, no Hospital Salpêtrière, delas participou como seu assistente.
Veio 1900. O mundo conheceria um clínico vienense que estabeleceria o método psicanalítico. E o novo século despertou com “A Interpretação dos Sonhos” (Die Traumdeutung), obra impressa em novembro de 1899 que inovou a literatura sonial.
“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”, expressou o psicanalista em seu livro. E defendeu enunciados. Na maioria, eles representariam exteriorização de anseios insatisfeitos ou, ao menos, “incoerentes, confusos e faltos de sentido”. Derivariam de frustrações ou temores sexuais. Resultariam, em verdade, de desejos reprimidos. Afastou-os de premonições ou mensagens do além. Defendeu-os instrumento revelador da personalidade, da natureza humana, identificador do sujeito, jamais constituídos de sentimentos morais.

O esquecimento da maioria dos sonhosos dizia ser mecanismo de defesa do superego.
Artigo publicado no jornal Diário do Nordeste, 6/08/2010

4 de agosto de 2010

Tremei, Stanislaw Ponte Preta

Literatura é coisa séria. Expressa conceitos, opiniões, sentimentos, histórias. Há também o lado jocoso, em algumas ocasiões beirando o extravagante. Abordagens do famoso Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País, do incomparável cronista Sérgio Porto sob o alter ego de Standislau Ponte Preta, são bons exemplos de uma peculiar seriedade. Mas não é o caso de uma das resoluções do II Congresso de Escritores, Poetas e Leitores do Ceará, evento realizado há uma semana em Fortaleza. Os nossos, digamos, “expoentes das letras”, pariram uma piada que merece entrar para o vasto anedotário do Estado. Na terra do humor, os “escritores, poetas e leitores” reunidos naquele, também digamos, sodalício saíram crentes de que podem rivalizar com personagens como Didi Mocó, Tiririca, Rossicléa, Raimundinha, Zé Modesto e outros. E decidiram “Encaminhar para a Fifa a sugestão que o símbolo da copa de 2014 seja um chocalho”. Não se sabe o que futebol tem a ver com isso, mas uma coisa é certa: uma das formas do chocalho é a do objeto que se põe no pescoço de bichos.


Chocalho e vaquinha
Se os nossos criativos escritores quiserem mesmo enviar a brilhante sugestão à Fifa, o endereço é Fifa House 11 Hitzigweg, 8030 – Zurique, Suíça. O telefone é + 41 – (0) 43 227-77-77. E fazer uma vaquinha nem será penoso: a tarifa dos Correios para correspondências de 300 gramas – uma idéia assim não pesa mais do que isso –, em envelope grande, custa R$ 14,75. Mas pode levar 15 dias para chegar lá.

Artigo publicado no Diário do Nordeste, 31/07/2010. Caderno 4/ política.

27 de julho de 2010



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21 de julho de 2010



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17 de julho de 2010


II CONGRESSO DE ESCRITORES, POETAS E LEITORES DO CEARÁ FORTALEZA, CEARÁ, DE 23 À 25 DE JULHO DE 2010

PROGRAMAÇÃO

DIA 23 DE JULHO DE 2010 – SEXTA-FEIRA

17:00h- ÚLTIMAS INSCRIÇÕES NO LOCAL DO CONGRESSO.
18:00h- CREDENCIAMENTO E ENTREGA DE MATERIAL.
18h50min- LEITURA E APROVAÇÃO DO REGIMENTO DO CONGRESSO.

19:00 h- ABERTURA OFICIAL .
SALVA DE CHOCALHOS.

PALESTRA
HOMENAGEM PARA RACHEL DE QUEIRÓS.
POR: FALTA CONFIRMAR O PALESTRANTE.

PALESTRA
HOMENAGEM PARA JOSÉ SARAMAGO
POR: LINHARES FILHO: Poeta, Escritor,Professor-Doutor e membro da ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS e do CONSELHO DE EDUCAÇÃO DO CEARÁ.
ENCERRAMENTO: 22h

DIA 24 DE JULHO – SÁBADO 08:00

MESA REDONDA: PALESTRA/DEBATE
TEMAS: PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE LEITORES
-O LEITOR COMO CONSTRUTOR DO ESCRITOR, DO POETA E DA LITERATURA CEARENSE;
-A INSERÇÃO DE OBRAS DE AUTORES CEARENSES NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PARTICULARES DO CEARÁ;
PARTICIPANTES: PROF. AURIBERTO CAVALCANTE;
PROF. ALAÉCIO FLOR
PROF. EDMILSON TORRES;
PROF. PAULO PAIVA;
PROF. PINHEIRO;
URIK PAIVA.

09:00h- O COMPLEXO DE IRACEMA NA LITERATURA CEARENSE: O APAGAMENTO DO ESCRITOR PELO LEITOR .
POR: CARLOS GILDEMAR PONTES (Fortaleza, 1960), professor de Literatura na Universidade Federal da Paraíba, estreou em livro em 1982, com Reflexos. Em 1988 seu conto “Miragem” obteve o 2.º lugar no 1.º Prêmio Literário Cidade de Fortaleza. No gênero conto publicou A Miragem do Espelho (1998).

10:0h-INTERVALO

10h20min -A HISTÓRIA DA LITERATURA CEARENSE, CONTADA ATRAVÉS DOS PRINCIPAIS MOVIMENTOS CULTURAIS DO CEARÁ.
POR: BATISTA DE LIMA: Poeta, Escritor, Professor Universitário, Crítico Literário, Membro da Academia Cearense de Letras e do Conselho de Educação do Ceará.

11h30min-DEBATE SOBRE A LITERATURA CEARENSE.
12H30min-INTERVALO PARA O ALOMOÇO.
13h30min-MOMENTO ARTÍSTICO.
14:00H-DEBATE- MESA REDONDA: POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA DO CEARÁ PARTICIPANTES:
CONVIDADOS:
-SECRETARIAS DE CULTURA DO ESTADO E DE FORTALEZA;
-PRESIDENTES DAS COMISSÕES DE CULTURA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA E DA CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA;
-PRESIDENTE DA FRENTE PARLAMENTAR DE DEFESA DA CULTURA DO CEARÁ.

15h40min -INTERVALO

16:00h- O MERCADO EDITORIAL NO CEARÁ
POR: LUIS-SÉRGIO SANTOS: Professor, Escritor, Jornalista, Editor da Revista FALE! E Diretor Da OMINI Editora.
-PROFISSÃO: ESCRITOR E POETA
PARTICIPANTES:
- AURIBERTO CAVALCANTE -COORDENADOR DO GRUPO CHOCALHO;
-HAROLDO FELINTO - PRESIDENTE DA ACE - ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE ESCRITORES;

-A COOPERATIVA DOS ESCRITORES E POETAS DO CEARÁ: PELOS ESCRITORES FRANCISCO PAIVA LIMA E AURIBERTO CAVALCANTE.
-O MERCADO EDITORIAL NO CEARÁ ;
-A EDIÇÃO DE LIVROS EM PEQUENA QUANTIDADE
-DIREITOS AUTORAIS

PARTICIPANTES DA MESA REDONDA:
- REPRESENTANTES DE EDITORAS;
-REPRESENTANTES DE ESCRITORES E POETAS PRESENTES AO EVENTO.

18:00h-ENCERRAMENTO
-MOMENTO ARTÍSTICO;
-LANÇAMENTO DE LIVROS.

DIA 25 DE JULHO DE 2010 - DOMINGO

-DIA DO ESCRITOR 08:00h
-DEBATE: MESA REDONDA: A LITERATURA CEARENSE E A MÍDIA NO CEARÁ
PARTICIPANTES:
-CONVIDAMOS REPRESENTANTES DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DO CEARÁ.
O ESPAÇO VIRTUAL COMO SUPORTE E O USO DE NOVAS MÍDIAS
-O LIVRO ELETRÔNICO
-“O BLOG E A INTERNET;
POR ELIOMAR DE LIMA: Professor, Jornalista, Radialista e Blogueiro; http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/
AURIBERTO CAVALCANTE – Professor, Jornalista, Escritor, Poeta e Blogueiro; http://auribertoeternochocalheiro.blogspot.com/ http://grupochocalho.blogspot.com/
TIAGO VIANA: -Publicitário e Blogueiro. -http://www.rastreadoresdeimpurezas.org/- http://grupochocalho.blogspot.com/
LUIZA AMORIM
-ALAÉRCIO FLOR: - http://alaercioflor.blogspot.com/
LYMA NETTO: - http://lymanetto.blogspot.com/
ALANNA CAVALCANTE:- http://alannamoreirac.blogspot.com/
PEDRO SAMPAIO: - http://chegaprasomarmeupovo.blogspot.com/
OUTROS BLOGUEIROS FORAM CONVIDADOS MAS AINDA NÃO CONFIRMARAM. BLOGUEIROS PRESENTES AO EVENTO PODERÃO PARTICIPAR DO DEBATE.

10h10min-INTERVALHO
10h30min-RESOLUÇÕES DO CONGRESSO
-ELABORAÇÃO DA CARTA DO LICEU ( OU OUTRO NOME DECIDIDO PELA PLENÁRIA DO CONGRESSO.)
-APROVAÇÃO DE MOÇÃO, ETC...
12:00H -HOMENAGENS AOS ESCRITORES: - DESTAQUE CULTURAL 2010
01-ABRAÇO LITERÁRIO - SESC
02-AIRTON MONTE;
03-ALANE - ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO NORDESTE
04-CARLOS AUGUSTO VIANA;
05-FERNANDA QUINDERÉ;
06-LÚCIO ALCÂNTARA;
07-LUSTOSA DA COSTA;
08-PEDRO SAMPAIO;
09-RODOLFO SPÍNDOLA;
10-UBIRATAN AGUIAR.

DIPLOMA AMIGO DO CHOCALHO
01-ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS;
02-ALEXANDRE PEREIRA;
03-DEMITRI TÚLIO;
04-INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ARTEFATOS PLÁSTICOS - IBAP;
05-LINHARES FILHO;
06-ROBERTO MOREIRA;
07-TV CEARÁ;
08-TV DIÁRIO;
09-TV O POVO;
10-TV VERDES MARES;

OBJETIVOS GERAIS DO CONGRESSO:
-O maior objetivo do Congresso é congregar o máximo de Escritores, Poetas e Leitores, que atuam nas mais diversas atividades liberais e partilhar as angústias e as esperanças comuns para publicar, editar e conquistar Leitores;

-Congregar os que atuam no cenário das Letras, é preciso atrair Leitores e Editoras para se interessarem por autores novos, e também publiquem os veteranos;
-Conhecer, Propor e Participar da elaboração das Políticas Públicas Culturais dos Governos: Federal, Estadual e Municipal;
-Assegurar aos Escritores e Poetas a efetiva participação nos eventos Oficiais da Cultura no Ceará;
-Exigir prioridades condizentes com a realidade da Cultura Cearense, antes de importar modelos culturais milionários do Primeiro Mundo;
-Abrir " janelas " virtuais e reais para mostragem do Produto: LITERATURA CEARENSE.
SERVIÇO:
II CONGRESSO DE ESCRITORES, POETAS E LEITORES DO CEARÁDE 23 A 25 DE JULHO DE 2010LOCAL.
AUDITÓRIO DO LICEU DO CEARÁ, PRAÇA GUSTAVO BARROSO, S/N - JACARECANGA - FORTALEZA - CEARÁ
ABERTURA: 19:00 HORAS DO DIA 23 DE JULHO ( SEXTA-FEIRA)
DOMINGO 25 DE JULHO - DIA DO ESCRITOR - HOMENAGEM AOS ESCRITORES

MAIS INFORMAÇÕES: PROF. AURIBERTO CAVALCANTE 91 42 31 95

12 de julho de 2010



Visite a Exposição Estado de Criação, no Centro Cultural Oboé.
Gilson Pontes

10 de julho de 2010



FOTO INSTANTÂNEA

Cidade,
Mundo de cimento.
Sacada do sétimo andar.
Mínima liberdade.
Lá em baixo, hortas de luzes:
Veículos, placas luminosas,
Semáforos mil.
Em tudo, competição humana.
Humanos que regressam
No brotar da noite,
Depois da fila, do horário cumprido.
Lá em baixo, o suor, a sede,
A ânsia de chegar imperam.
Do sétimo andar,
Junto-me ao caos:
Ao sistema habitacional,
Ao custo de vida,

Ao bolso vazio,
A fome exposta,
A democracia.
Do sétimo andar,
À noite retorna-me desfechos do dia

Comprimindo-me o sentimento.
No meio de tudo, defronto-me com indignações:
Protestos em preto-e-branco e coloridos
- Pichações sobre os muros
Ainda aquecidos.


Janaura Tavares -Ufóloga, membro da AUIB (Associação dos Ufólogos Independentes do Brasil). Estudiosa em Radiestesia, Paranormalidade, Fenômeno Sobrenaturais e Espirituais

9 de julho de 2010


Prêmio Literário para Autor (a) Cearense contempla 110 autores

A Secretaria da Cultura do Estado divulgou nesta quarta-feira, às 9h, no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, os 110 agraciados na seleção do Prêmio Literário para Autor(a) Cearense que contempla, em 14 (quatorze) categorias denominadas em homenagem a autores cearenses cuja memória é de relevada importância, a publicação de obras de autores cearenses, dentre livros, álbuns de quadrinhos e revistas.

O Prêmio, na ordem de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), foi anunciado pelo secretário da Cultura do Estado, Auto Filho, pelo secretário da Casa Civil, Pedro Castelo, pela coordenadora do Programa Pacto Social Pelo Livro (Secult), Karine David, e pelo Presidente da Academia Cearense de Letras, Pedro Henrique Saraiva Leão, entre outros 15 integrantes da Comissão de Análise e Seleção do Prêmio.

O recurso destinado para o Prêmio Literário para Autor (a) Cearense é o maior, em todo o Brasil, disponibilizado exclusivamente à Literatura e objetiva a democratização no acesso aos recursos do Tesouro Estadual para a produção de obras de autores (incluem-se todos os profissionais inseridos nas cadeias criativa e produtiva do livro, como escritores, revisores, diagramadores, gráficos, ilustradores, capistas, designers etc.) e editores radicados no Ceará, incrementando assim a produção editorial, por compreender a atividade editorial como integrante do processo de desenvolvimento cultural do Ceará.

Em reconhecimento à originalidade, criatividade, qualidade intelectual e técnica de seustrabalhos, dentre outros aspectos e critérios estabelecidos em Edital, 110 (cento e dez) projetos estão classificados e devem receber recursos, a título de Prêmio, que variam entre R$ 4.285,71 (a maior parte das categorias, com exceção de Selo Editorial, Revista Literária/Cultural e Livro de Arte) e R$ 2.857,14 (também a título de Prêmio para a categoria de Reedição).

Os contemplados receberão, de acordo com as propostas editoriais apresentadas e analisadas pela Comissão, o direito de publicar, no mínimo, 1.000 (hum mil) exemplares dos títulos selecionados, destinando 40% da tiragem às bibliotecas do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, divulgando a produção cearense a todos os municípios do Estado do Ceará.

Com caráter inédito e ousado, o Prêmio recebeu 317 (trezentos e dezessete) inscrições, o que prova que existe uma demanda criativa e editorial que merece toda a atenção.

A Comissão de Seleção do Edital foi composta por 15 membros escolhidos conforme sua competência profissional, incluindo críticos literários, professores universitários, personalidades destacadas no meio literário e no mercado editorial.

Ao todo, foram inscritos:Prêmio Caetano Ximenes Aragão, de Poesia inédita - 67 obras

Prêmio Jáder de Carvalho, de Romance inédito – 13 inscritos

Prêmio Moreira Campos, de Conto inédito – 31 inscritos

Prêmio Milton Dias, de Crônica/Memórias inédita – 23 inscritos

Prêmio Rachel de Queiroz, de Literatura Infantil e Juvenil inédita - 45 inscritos

Prêmio Alberto Porfírio, de Literatura de Cordel inédita – 8 inscritos

Prêmio Otacílio de Azevedo, de Reedição – 47 inscritos

Prêmio Eduardo Campos, de Dramaturgia inédita – 13 inscritos

Prêmio Braga Montenegro, de Ensaio e/ou Crítica literário inédito – 9 inscritos

Prêmio Guilherme Studart de Ensaio sobre Tema Cultural inédito - 33 inscritos

Prêmio Luiz Sá, de Álbum em Quadrinhos inédito – 10 inscritos

Prêmio Manoel Coelho Raposo, de Publicação de Selo Editorial – 4 inscritos

Prêmio Edigar de Alencar, de Publicação de Revista Literária/Cultural – 4 inscritos

Prêmio J. Ribeiro, de Publicação de Álbum/Livro de Arte – 10 inscritos

Maiores informações: 3101.6790/3101.6794 (Tamyres) ou http://www.secult.ce.gov.br/

3 de julho de 2010

Centro Cultural Banco do Nordeste
Percursos Urbanos
Passeio com Milton Dias
Dia 10/07/2010 às 15
Participe!

Mediação: Silas Falcão

1 de julho de 2010











UM DOS ORGULHOS DA ALMECE

Por Francisco Bernivaldo Carneiro
Sócio–Efetivo Cadeira nº 79 da Almece, representando o municipio de Jaguaretama.

Atire-me o primeiro Best seller que lhe cair às mãos, o leitor que nunca se deparou com um livro e, súbito, a própria curiosidade não se conteve com um simples folhear. Eu, por exemplo, diante de Odisséia em Ulisséia não sosseguei enquanto não o consumi da primeira orelha à contracapa.
Era uma empatia que crescia a cada página lida, uma identificação que me remetia às primeiras vezes que transcendi os limites fronteiriços deste país. A crônica, Recado da Embaixada de meu Satirizando o Cotidiano narra duas destas situações: em Lima–Peru/ 1986 e cerca de quatro anos depois em Buenos Aires/ Argentina. A primeira por conta das estripulias do Grupo Terrorista Sendero Luminoso e o consequente “Toque de Recolher” então vivido por aquele país banhado pelo Pacífico; o segundo, por eu – em território platino – ter revelado não morrer de amores pelo então governo Collor.

Mas voltando a Odisséia em Ulisséia ressalto por dever de justiça: Trata-se de uma obra mística, e de leitura cativante, não somente pela abrangência da forma, mas também pela elegância da escrita. Dizem que em matéria de escrita complicar é fácil, o difícil é ser simples. Pecado que não existe na obra em pauta. Isenta de excessos e floreios narrativos, tudo em Odisséia em Ulisséia flui naturalmente sem a menor afetação. Por assim dizer, um livro cujos insumos da composição me remetem a Homero e ao seu poema Odisséia. Uma peça inspirada na história do herói grego Odisseu. Ulisses, para os romanos. Quem, segundo a Mitologia Grega, era baixinho, muito inteligente e depois de lutar na Guerra de Troia ainda demorou-se dez anos para voltar para casa. Vilma Matos (também pequena em estatura e gigante no talento) a despeito de todos os imprevistos, em apenas dez dias foi, viu, venceu e voltou. Isto é, com absoluto louvor, foi bem além de sua missão em território luso. Onde também lutou. Não contra adversário declarado e sim contra um indivíduo invisível. Contra uma vilania e uma perfídia apócrifas destiladas por uma índole doentia que, certamente albergada deste lado do Atlântico, vegeta integralmente sua absurda maldade. Algo inaceitável até mesmo para quem tem em mente o filósofo Montaigne: Nada do que é humano me é estranho.

Mas Vilma Matos, que não é de ânimo frouxo e não viajara para achar o desassossego nem para encontrar a agonia, senão para buscar a paz e plantar harmonia, tão logo decifrou a criminosa farsa, tão logo desmascarou o malfadado trote; deu a volta por cima. Em lugar de se entregar ao muro das lamentações, de deixar as contrariedades lhes darem voltas à cabeça, de pronto reconciliou-se consigo mesmo descarregando no fosso das maldades, aqueles instantes aziagos. E traduzindo o pendor de sua versatilidade, liberou de vez o peito opresso para viver o que de fato e de direito merecia viver em Portugal: As glórias do sucesso.

E das torpezas e parvoíces de mentes desocupadas... Mente desocupada, oficina do diabo – já dizia Lutero... Voltemos ao livro. Pois bem, decorridos quase seis anos de sua viagem, Vilma Matos nos brinda com Odisséia em Ulisséia. Uma belíssima obra que, com muita propriedade, eterniza os bons e os maus momentos vivenciados pela autora em terras do Além-mar. Uma viagem que transcendeu, em muito, a missão oficial. Uma vez que sua incumbência eram duas performances poéticas como declamadora. Sendo a primeira no lançamento de uma Antologia Poética de língua portuguesa em que ela, Vilma, era um dos 67 autores. Vez que em outros eventos culturais e reuniões familiares em Lisboa e circunvizinhanças, Vilma foi bem além, na Arte de Camões. Mostrou aos lusitanos um pouco mais de seu talento literário, voltou a recitar sua virtuosa declamação e compôs novas peças. Assim como exerceu o que é uma marca registrada do cearense: O bom-humor, a amizade, a hospitalidade...

Em assim sendo alegro-me em dizer: muito embora a força de modéstia da autora tenha, em parte, tolhido a ênfase que deveria dar aos seus muitos feitos, ela fez bonito, sim, em solo Português. De modo que transcorrido um século o Brasil paga na mesma moeda, um dos principais mimos dos patrícios. De lá veio Maria... Maria do Carmo Miranda da Cunha (que daqui se fez internacionalmente famosa com o cognome Carmem Miranda e mundialmente aplaudida com o epíteto de A Pequena Notável) e de cá foi Maria... Maria Vilma Matos. Em outras palavras: a Europa doa ao Brasil um diamante em formação, nascido das entranhas de Marco de Canavezes/ Portugal e a América do Sul remete ao Velho Mundo uma joia já lapidada, garimpada que foi no ressequido e hospitaleiro torrão de Crateús – Ceará/ Brasil.

Por fim, ressalte-se uma vez que é oportuno: foi tomado por uma premonição que antecipava tudo isso, que naquele 18.10.2009 não dei bolas para minha firmada rotina dos domingos. Deixando de lado os dois livros que eu lia por aqueles dias: A Origem de Minha Vida e Confieso Que He Vivido, autobiografias, respectivamente, de Barack Obama e Pablo Neruda; sequer lembrei-me do Esporte Espetacular, não tive olhos para o sono da digestão do almoço, nem tampouco assisti ao clássico Palmeiras versus Flamengo. Melhor assim: Não amarguei em tempo real a derrota de meu “Verdão” para o “Rubro-negro” do Presidente Lima Freitas. Posto que, literalmente dominado por sua magia, praticamente de um fôlego só devorei Odisséia em Ulisséia.

Parabéns Vilma Matos. Parabéns “Pequena Notável dos Trópicos”. Você, por certo, é o orgulho, não só de seus familiares, mas de todos os amigos e, especialmente, de nós almeceanos. Seu livro é, literalmente, uma agradabilíssima viagem.

Que seja sua obra, em todas as latitudes, o sucesso que você foi do outro lado do Atlântico.

29 de junho de 2010

Carla Castro

Poetisa, pedagoga, professora, graduada em letras pela UFC, atualmente é estudante de direto na UNIFOR e cursa especialização em língua portuguesa e literatura brasileira na UECE.
Autora do livro A Vida em Versos, lançado na IX Bienal Internacional de Fortaleza, em abril de 2010

O Reflexo da tua nudez

Sob uma réstia de luz num quarto escuro,
Vi o reflexo da tua nudez
por alguns segundos.
Teu corpo inteiro, moreno,
Ficou eternizado naquele momento.
Enquanto se refrescava naquela noite quente,
Eu vislumbrava-te por uma cortina transparente.
E delirava a todo instante,
Com pensamentos atordoantes.

28 de junho de 2010



Ô CATINGA

Por Airton Soares

"Chorava à noite, em segredo, no dormitório; mas colhia as lágrimas numa taça, como fazem os mártires das estampas bentas, e oferecia ao Céu, em remissão dos meus pobres pecados, com as notas más boiando." (Raul Pompéia, O Ateneu, pp. 73-74.)

PRIMÁRIO. AULA DE GEOGRAFIA. AS CAATINGAS DO NORDESTE. Lá pro meio da aula, dou-me conta de que bocejava contorcendo-me de enfado sobre a velha carteira da escola. De súbito, ao escutar a palavra caatinga, levo as mãos à boca fazendo trejeitos de fedor. O coleguinha do lado ri e segue-me nos gestos.

NOSSO PRÊMIO: meia hora de pé com os braços abertos de frente pra classe. Cinquenta anos.... Cinquenta! E esta cena ainda vive cá dentro do meu juízo. Vive sem mágoas, mas lamentando o modelo de educação da época.

O PROFESSOR MARQUES bem que poderia sutilmente ter chegado de mansinho... pé ante pé - dissimulando sua irritação - e...: "muito bem crianças! O gesto que vocês acabam de fazer trata-se de outra maneira de entender a palavra caatinga. A isto chamamos de palavras homônimas homófonas. E terei... terei..." Não com estas palavras, naturalmente, como diria Fonsequinha, personagem do 'Zorra Total´, mas respeitando nossa idade e falando a nossa língua, claro!

O ACONTECIDO não minguou, mas retardou - e muito - meu pendor artístico e outras inteligências inerentes ao ser humano.

MAS QUER SABER: o que marcou. Marcou mesmo, foi o semblante de decepção estampado no rosto da minha paquerinha.

NOVOS TEMPOS! O aluno é quem manda na classe. Às vezes, até bate no professor quando não o ameaça de morte. Hoje, a ambiência é inversa a do Ateneu, mas igualmente perversa. Lição fatal. Ponto final. Hora do recreeeeio!

Ana Miranda

Saramago e o Ceará

Tive alguns encontros com Pilar e Saramago, sempre nos abraçávamos com carinho e, além dos livros, das boas conversas, guardo deles preciosas fotos e cartas. Também um gesto em que ele me transmitiu uma simbólica herança literária, e que fica como despedida. Sempre percebi nossa afinidade criativa, pertencíamos a uma mesma família literária. Por Pilar tenho a gratidão nascida de suas delicadas palavras a meu respeito, num dos Cadernos de Lanzarote. Acompanhei a brilhante trajetória de Saramago, esperava cada novo livro seu, sabia de suas atividades e opiniões políticas, os sofrimentos, seu zelo por seres humanos a sofrer tantos crimes, loucuras, omissões, num mundo convulso e injusto. Não conhecia, porém, a sua origem, Saramago pouco falava dos antepassados, dizia que somos filhos apenas de nossas obras. As memórias que valem, dizia ele, são as que pertencem a todos. “Só o passado coletivo é exultante”. Mas encontrei nos lindíssimos livros A bagagem do viajante e Viagem a Portugal algumas lembranças de sua infância e de seus antepassados.

Ele dizia que seu nome era o de uma erva. Vem do árabe sarmaq, esclarece o dicionário, e chegou a terras espanholas corrompido em jaramago, depois tomando forma portuguesa. É uma planta silvestre, de folhas denteadas, em cujos ramos brotam florzinhas alvas e pequenos frutos como cilindros estriados. E José, o nome do carpinteiro pai de Jesus, significa Deus acrescenta. O nome mais singelo, seguido por um nome de planta selvagem. Ervas são resistentes e nascem sem que ninguém precise plantar, regar, adubar ou podar, só os simples as colhem, com pureza, nas mãos distraídas, e elas logo murcham, sabem viver somente da seiva da terra. São pisoteadas pelos cascos dos cavalos, pelos pés dos lavradores, arrancadas no preparo da terra, mas renascem onde querem, livres, num pequeno milagre vegetal.

Foi como uma erva das campinas que Saramago nasceu, na aldeia de Azinhaga, entre gente rude que levava a vida no recesso da natureza. Ali o menino escutava estórias de um bisavô alto, magro e escuro, rosto de pedra (as pedras do rosto de Saramago eram suavizadas e clareadas pelo legado da avó), sabedor dos “segredos dos dias e das noites, e da negra fascinação que exercia nas mulheres o seu mistério de homem do outro lado do mundo”, a distante África do Norte, de montanhas frias e ardentes; pastor, ou salteador, não se sabe. Coberto pelo manto de lã com capuz usado pelos árabes chegara a Portugal para guardar terras encharcadas às margens do rio, e ali matou um homem “como quem arranca uma silva”. Vivia longe da aldeia, nas matas, guardado por dois cães ferozes. Essa romântica fonte berbere é a origem mais distante a que o escritor se aventura.

Relembra também um avô, de quem teria herdado os ombros magros, um guardador de porcos que, ao nascer, havia sido posto na roda dos enjeitados, filho de sabe-se lá quem, e talvez por isso mesmo crescera secreto, silencioso. Um dia atraiu contra si o ódio da aldeia, pois dele se enamorou a mais linda rapariga que ali morava. Teve de passar a noite do casamento à porta da casa, “ao relento, de pau ferrado sobre os joelhos, à espera dos rivais ciosos que tinham jurado apedrejar-lhe o telhado”, e só quando a lua deitou, foi abraçar aquela mulher maravilhosamente bela. Saramago se diz tão perto desse avô que estende a mão e toca sua lembrança carnal.

O menino de faces pálidas, que sonhava um dia ser maquinista de caminhos de ferro, ia olhar os barcos navegando em canais, saltava pelos ramos dos salgueiros quase a encostar na superfície do charco, e subia até a fímbria das árvores. Tomava banho no rio de águas cobertas pelo mateiro suspenso, evitava os azulejos azuis e amarelos da ermida que tanto medo lhe causava, pelo acervo de estórias que uns acreditavam serem apenas invenção de bêbados, mas ele preferia o temor. Menino de leituras poucas e marcantes, conta que os livros em sua casa ficavam guardados numa gaveta, embrulhados em papel de seda, entregues com muitas recomendações. A mãe e o pai, com quem dormia no mesmo quarto, ele nos apresenta pela descrição de uma fotografia, o casal com ar de gravidade solene, a mãe tem uma flor na mão, e o pai, a mão sobre o seu ombro, parecendo uma asa. “Nada disto tem importância, a não ser para mim”, ele diz. Mas essa origem, essas cartas da memória escritas com os olhos fechados, contendo tantos significados sofridos e poéticos, tem silenciosos apelos que ressoam no íntimo de nós todos, seus leitores.

Fonte: Jornal O povo - Coluna Ana Miranda
Em 25/06/2010

24 de junho de 2010

Por Airton Soares - PHD
Palestrante - Humorista- Declamador

UM DIA SEM QUERER o sujeito espeta o olhar numa mulher. Disfarça pra ninguém notar. Não era qualquer mulher. Imagine quem... a namoradinha de um amigo seu. A letra robertocarliana garante que o apaixonado tem consciência do erro, mas.. foi sem querer e nem mesmo sabe como isso aconteceu.

CONFESSANDO O ERRO a sentença se abranda? Neste terreno o homem leva vantagem, ou levava, pois a mulher continua fiel, mas se porventura acontecer... Vingou-se, apenas! O eufemismo é uma bênção!

DIA DESTES li uma frase dissimuladamente machista: “Não existe generosidade maior do que perdoar a traição da mulher dos outros.” Leia-se no subentendido: a poligamia só tem validade para o homem.

O FATO É: o homem entrou em parafuso. O machismo murchou, e a mulher mais uma vez tende a matriarcar o contexto desta secular guerra dos sexos. Para os nossos filhos e netos, esta história de machismo é página virada. O `ficar' veio para ficar. Fique ciente disto!

MEU DESEJO ERA publicar esta crônica somente no Dia. Mudei de ideia. Você acha que em plena copa do mundo alguém vai dar bola para o Dia dos namorados? Que nada,”AS” bem que vai! O brasileiro tá com a bola toda. Tem espírito festeiro. Tá no sangue. Qualquer tantin de tempo livre ( se não dispõe, inventa!) faz um carnaval. Isquidum...biriguidum...

DEI RÉDEAS LARGAS AO TEMA de caso pensado, mas o tempo urge. Meu espaço finda. Portanto, retomo – e concluo - esta crônica com um pensamento do poeta Dante Milano: “Tirando a mulher...o resto é paisagem!